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Quem tem medo da Universidade Federal?

Debate que junta interesses partidários e corporativistas impede a percepção da revolução educacional que acontece em Osasco. Críticos são convidados a participar do Seminário do Osasco 50 Anos.

Artigo de Roberto Espinosa*

É hora de botar os pingos nos “is”, pôr a mão na consciência e falar sério sobre ensino superior, pois, daqui a somente um mês, começará a funcionar a Universidade Federal de Osasco (Unifesp-Osasco), com seus primeiros trezentos alunos, já selecionados e em fase de matrícula, para os quatro cursos inaugurais. Será uma verdadeira revolução, pois a cidade se firmará como capital universitária da região e formará um triângulo de qualidade na Zona Oeste da Grande São Paulo com a USP (Universidade de São Paulo) e a PUC (Pontifícia Universidade Católica). Trata-se de uma das maiores conquistas da cidade nos últimos vinte anos.

A escolha de Osasco como sede de um centro de excelência em pesquisa acadêmica, com profissionais competentes e selecionados pelo mérito, que pode virar referência nacional, contudo, não foi obra do acaso, mas fruto da iniciativa da Prefeitura, da vontade popular e do planejamento integrado, pois a implantação de nossa primeira instituição de ensino superior gratuito está contemplada na diretriz 5, “Contribuir para a adequação do Ensino Superior à realidade da cidade e às expectativas dos seus cidadãos” do eixo Educação, do Projeto Osasco 50 Anos (ver o livro O futuro da cidade…, 2a ed., pp. 151-152). Que cidade não sonha com sua Universidade Federal?

Deveríamos todos, portanto, estar festejando essa conquista e, às vésperas de nosso 49º aniversário de emancipação, nos preparando para os próximos desafios, que não serão pequenos, pois o futuro é inevitável e a cidadania tem pressa. Lamentavelmente, porém, uma corrente de murmúrios e queixumes percorre a cidade, aproveitando-se de incômodos, que até podem ter motivos reais, de parte dos corpos docente e discente da problematicíssima Fac-Fito, que, lamentavelmente, a cada ano, tem menos alunos e cai mais um pouco no ranking do ensino superior publicado pelo MEC. A impressão é que tem gente na cidade que teme a chegada da Universidade Federal.

Estou convencido de que, com a nova universidade, os estudantes e as demais faculdades da Região Oeste ganharão uma referência de qualidade. Ou seja, passaremos a ter termos de comparação no que se refere à variedade de cursos, sua adaptação às necessidades da cidade e no quesito fundamental da seriedade profissional. Por força da novidade, os cursos já instalados na cidade e os que vierem a se instalar, mesmo em instituições particulares, investirão na diversidade de cursos, na qualidade dos laboratórios, pesquisas e na prestação de serviços. A indústria e o comércio locais, bem como a comunidade, portanto, serão beneficiados.

Um balanço sério sobre a vitória da cidade na luta para trazer a sua unidade da Unifesp exige que se faça uma distinção entre o principal e o secundário, o primordial e o acessório, ainda que, momentaneamente haja desconfortos. A expectativa inicial era que a universidade fosse inaugurada em seu próprio campus, no Jardim das Flores. Isso, contudo, não foi possível, devido aos trâmites burocráticos para a aquisição do terreno do Exército. Para solucionar o impasse, a Prefeitura cedeu temporariamente, por até 10 anos, o antigo prédio da Fac-Fito para a Universidade Federal, transferindo seus alunos para um novo prédio, construído a 50 metros do antigo.

Tratou-se de um sacrifício necessário, e a Prefeitura não vacilou para garantir o principal, a implantação da nossa unidade da Universidade Federal, que nem os mais céticos hoje ousam mais pôr em dúvida. Os alunos da Fito, em todo caso, não foram prejudicados, pois, juntamente com a nova unidade, receberam benefícios como novos laboratórios, a exemplo dos de eletricidade e química. O reitor da Unifesp, Walter Albertoni, por seu lado, garante que o terreno do futuro campus já foi comprado, integrado ao patrimônio da Unifesp e que os recursos para a construção dos prédios definitivos constam dos próximos orçamentos anuais.

Temos agora a nossa Universidade Federal. Isto é um fato. E conservamos a nossa pioneira, e hoje com infinitos problemas de viabilidade, Fac-Fito. Queremos que a nova universidade se integre à nossa realidade e tenha futuro. E temos que enfrentar a sério o desafio da crise, que já dura décadas, da Fito, recuperando nossa mais antiga instituição de ensino superior, ressintonizando-a com a Osasco do século XXI. Por isso convido a todos os interessados, sobretudo os professores e alunos da Fito, a participar do planejamento de Osasco, no 3º Seminário do Projeto Osasco 50 Anos, que acontecerá no próximo dia 19 de fevereiro no Unifieo.

* Antonio Roberto Espinosa é jornalista, ex-editor do jornal Primeira Hora, professor da Escola Superior Diplomática (ESD), do Unifieo e coordenador do Projeto Osasco 50 Anos.

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