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Lendas, imprensa e ditadura são tema do Cine Osasco Debate

No último sábado, dia 26 de maio, foi realizada no Espaço Cultural Grande Otelo, mais uma edição do Cine Osasco Debate, que exibiu o documentário “Nasceu o Bebê Diabo em São Paulo”, dirigido pela cineasta Renata Druck e com roteiro de Sabina Anzuategui.

O filme investiga a veracidade de três lendas urbanas amplamente exploradas pelo extinto jornal Notícias Populares (NP): O Bebê Diabo, A Loira do Banheiro e A Gangue do Palhaço. Originadas em boatos, essas lendas foram noticiadas à exaustão pelo jornal sensacionalista em épocas distintas e, em 2002, um jornalista aceitou o desafio de procurar pessoas relacionadas às três histórias para desvendá-las.

Com mediação de João Subires, o Cine Osasco Debate contou com a participação dos jornalistas Roberto Ortega (ex-Notícias Populares) e Roberto Espinosa (ex-Primeira Hora), que discutiram questões relacionadas à história do NP, a influência da ditadura militar sobre o periódico e o impacto que ele teve no imaginário da população de Osasco ao noticiar tais boatos.

De acordo com Ortega, que trabalhou por três anos no jornal até seu fechamento, em 2001, o NP funcionava como uma espécie de porta-voz da periferia, noticiando histórias que surgiam de boatos populares.“As lendas vinham da população e viravam pauta. A matéria-prima do jornal era o depoimento das pessoas. Era um anti-jornalismo, mas nada era mentira”, declarou.

Já segundo Roberto Espinosa, a publicação constante das lendas tem fundamento ideológico e seguia uma política do medo, instaurada pela ditadura militar. “O filme trata a questão como lenda, mas a lenda passa uma ideologia. O NP era o jornal mais vendido durante a ditadura e nunca teve problemas com ela”, argumentou. Ainda de acordo com Espinosa, que posteriormente fundou o jornal Primeira Hora, Osasco era um dos principais cenários do NP e, por isso, acabou sendo caracterizada como a “cidade do crime”. “Por causa da greve [de 1968], foi preciso criar um cinturão em Osasco e, seguindo essa lógica, o NP sempre trazia Osasco nas manchetes. Então, no Primeira Hora, tentamos resgatar a autoestima da cidade, fazíamos a contra-matéria ao NP, para acabar com os resquícios da ditadura”, disse.

“No final, o NP era um jornal pop, era uma cultura pop cultuada pelos jornalistas. Tanto, que parou de vender”, argumentou Ortega. “Fazer uma lenda urbana hoje é muito mais fácil pela internet. Um jornal não tem mais força para isso. É a crise do jornalismo impresso”, opinou.

O projeto

O Cine Osasco Debate é um projeto desenvolvido pela Secretaria da Cultura de Osasco, em parceria com o Centro Cineclubista de São Paulo, que exibe mensalmente, desde 2011, filmes seguidos de debates com diretores ou especialistas no assunto abordado. O programa integra a política da Secretaria de resgatar e fortalecer as organizações de cineclubes de Osasco, estimulando seu encontro e a formação de novos grupos, além de exibir, divulgar e debater o cinema brasileiro.

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